O Poço Iniciático da Quinta da Regaleira a espiralar para a terra sob as florestas de Sintra
Diário de Viagem

O Melhor para Fazer em Sintra, Portugal

Cinco palácios, um castelo mouro, jardins milenares, falésia atlântica e uma das aldeias mais encantadoras da Europa. Como tirar o máximo partido de um Património Mundial da UNESCO único no mundo.

Sintra é, por qualquer medida, um dos lugares mais extraordinários da Europa. Um Património Mundial da UNESCO encravado nas encostas florestadas da Serra de Sintra, a 25 quilómetros a oeste de Lisboa, consegue concentrar mais beleza arquitectónica, drama histórico e maravilhas naturais em poucos quilómetros quadrados do que a maioria das cidades em séculos inteiros. O Palácio da Pena, por si só, justificaria uma visita de qualquer parte do mundo. O facto de partilhar a sua colina com outros quatro palácios, um castelo mouro, jardins em terraços e uma das aldeias mais belas de Portugal torna Sintra genuinamente difícil de abandonar.

A questão não é se visitar — é como. A Serra é generosa nas suas recompensas, mas pode também sobrecarregar: um dia que tenta ver tudo tende a deixar os visitantes cansados e apenas semiconscientes de cada lugar por onde passaram. Este guia foi concebido para ajudá-lo a escolher bem, a mover-se com eficiência e a chegar a cada sítio com o estado de espírito certo — ou seja, sem pressa.

O Palácio da Pena — o Palácio que Começou Tudo

Para a maioria dos visitantes, uma viagem a Sintra começa e termina com o Palácio Nacional da Pena, e com razão. Construído entre 1842 e 1854 sobre as ruínas de um convento medieval, o Pena é o monumento definidor da arquitectura Romântica portuguesa — uma confecção fantástica de ameias, torres, terraços e arcadas pintadas nas cores originais de vermelho terracota profundo e ocre amarelo brilhante que o rei Fernando II escolheu para distinguir as suas duas alas. Parece, da melhor maneira possível, como se alguém com recursos ilimitados e um amor profundo pelos contos de fadas tivesse recebido um cume de montanha e lhe pedissem para fazer o seu pior.

O interior do palácio recompensa a atenção cuidadosa: a Sala Árabe, com os seus estuques arabizantes e mobiliário de seda, a cozinha com o seu equipamento original em cobre do século XIX, e a vasta Sala de Baile com os seus tectos pintados. Mas é o exterior — as ameias, o Arco de Tritão, a vista do terraço superior sobre a Serra até ao Atlântico — que os visitantes recordam mais.

Reserve bilhetes online com antecedência, especialmente entre Maio e Setembro, e chegue à abertura (9h30). O palácio fica a 30 minutos a pé do centro da vila, ou a uma curta corrida de tuk-tuk. O envolvente Parque da Pena — 200 hectares de jardins paisagísticos com lagos, vales e uma extraordinária colecção de árvores exóticas — está incluído no bilhete do palácio.

A Quinta da Regaleira — a Sintra que Não Estava à Espera

Se o Palácio da Pena é a atracção mais famosa de Sintra, a Quinta da Regaleira é a mais misteriosa. Construída na viragem do século XX para o excêntrico e tremendamente rico António Augusto Carvalho Monteiro, a propriedade está saturada de simbolismo Maçónico, Rosacruz, Cabalístico e alquímico codificado em cada arco, azulejo e elemento dos jardins.

O palácio em si é uma obra de teatro neo-manuelina: gárgulas, dragões, colunas torcidas e emblemas esculpidos em pedra clara que parece brilhar à luz da manhã. Mas a obra-prima da Quinta da Regaleira são os seus jardins. Esculpidos na encosta florestada, revelam os seus segredos gradualmente: grutas, lagos, uma capela entre as árvores, túneis subterrâneos que ligam diferentes partes da propriedade.

No centro de tudo está o Poço Iniciático — uma escada em espiral de nove andares que desce 27 metros até à terra. Foi construído não para água, mas para cerimónia: os iniciados eram descidos com os olhos vendados até ao fundo e encontravam o caminho de volta à superfície pelos túneis, como prova de resolução interior. Hoje, os visitantes descem a pé e emergem, algo desorientados, para os jardins acima. Reserve bilhetes com antecedência e reserve pelo menos duas horas.

O Castelo dos Mouros — 1.300 Anos de História

O Castelo dos Mouros é o monumento mais antigo de Sintra, e o mais elementar. Construído pelos Mouros nos séculos VIII e IX e conquistado por Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, em 1147, as muralhas ameadas do castelo sobem pelo cume rochoso da Serra numa linha dramática que tem sido visível desde as planícies abaixo há mais de mil anos.

Hoje, os visitantes percorrem as ameias restauradas, sobem às torres e desfrutam de vistas que, num dia limpo, se estendem para sul até Lisboa e ao estuário do Tejo, para oeste até ao Atlântico e para norte por toda a Serra. As vistas da Torre Real — o ponto mais alto do castelo — são as melhores de toda Sintra. O Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena partilham um caminho florestal entre si e a maioria dos visitantes faz ambos na mesma manhã, que é a ordem natural.

O Palácio Nacional de Sintra — Beleza à Vista de Todos

Erguendo-se no centro da vila de Sintra, as suas duas enormes chaminés cónicas visíveis das colinas circundantes, o Palácio Nacional de Sintra é a residência real mais antiga de Portugal ainda em pé e, curiosamente, aquela a que a maioria dos visitantes passa ao lado sem reparar totalmente. Isso é um erro.

O interior do palácio é magnífico. A Sala dos Brasões, o seu tecto em cúpula coberto por 72 escudos de armas que representam as famílias nobres do Portugal do século XVI, é uma das salas mais belas do país. A Sala das Pegas está decorada com 136 pegas, cada uma segurando no bico uma rosa e um estandarte com a inscrição por bem, encomendada pelo rei João I depois de ser apanhado pela rainha a beijar uma dama da corte. Os painéis de azulejos ao longo do palácio estão entre os melhores exemplos de arte decorativa portuguesa em qualquer parte do país.

Monserrate — o Melhor Segredo de Sintra

A três quilómetros a oeste do centro da vila, o Palácio de Monserrate é o mais belo e menos visitado dos grandes palácios de Sintra — o lugar onde os visitantes mais exigentes tendem a acabar.

Reconstruído entre 1858 e 1885 para o comerciante inglês Sir Francis Cook, num local que já tinha cativado William Beckford e Lord Byron, o edifício é uma síntese extraordinária de influências arquitectónicas Góticas, Mouriscas e Indianas. O seu exterior é esculpido em pedra clara que se agarra à encosta sobre um lago e um jardim formal; o seu interior apresenta estuques de complexidade semelhante à Alhambra, recentemente restaurados.

O envolvente jardim de 35 hectares é o verdadeiro tesouro de Monserrate: fetos arborescentes da Nova Zelândia, cicas de África do Sul, rododendros do Himalaia, palmeiras mexicanas e inúmeros outros exemplares dispostos ao longo de caminhos que serpenteiam pela encosta florestada. Na Primavera, os rododendros são extraordinários. Em qualquer altura do ano, uma hora no jardim de Monserrate parece mais reconfortante do que uma tarde em qualquer outro lugar em Sintra.

Passear pela Vila de Sintra — Pastéis, Vinho e Ruas de Calçada

Entre visitas aos palácios, o centro histórico da vila de Sintra recompensa uma hora ou duas de passeio sem pressa. As ruas em torno da Praça da República — a praça principal, ladeada pelo Palácio Nacional — estão repletas de pequenos restaurantes, bares de vinho e lojas de artesanato.

Pare na Piriquita, na Rua das Padarias, que faz os dois grandes pastéis de Sintra desde 1862. O travesseiro — uma almofada de massa folhada recheada com creme de amêndoa e açúcar em pó — é o que deve pedir primeiro. A queijada — uma tarte pequena de queijo fresco, ovos e canela — é o outro. Coma-os quentes, ao balcão.

Para almoço, a Tascantiga oferece excelentes petiscos portugueses. Para algo mais elaborado, o Incomum by Luis Santos oferece culinária portuguesa criativa moderna que vale a pena reservar com antecedência. Em qualquer bar de vinho que visite, procure Colares na lista: produzido a partir de vinhas antigas não-enxertadas nos solos arenosos costeiros a oeste de Sintra, é um dos vinhos mais raros de Portugal.

O Cabo da Roca e a Costa Atlântica

A maioria dos visitantes de Sintra nunca chega à costa, o que é uma pena. A 25 minutos de carro a oeste da vila fica o Cabo da Roca — o ponto mais ocidental da Europa continental, uma falésia íngreme sobre um Atlântico que se estende, sem interrupção, até às Américas. Há um farol, um pequeno centro de visitantes, e muito pouco mais. A vista é tudo.

A partir do Cabo da Roca, a estrada costeira para sul passa por Azenhas do Mar — um conjunto de casas caiadas empilhadas contra uma falésia sobre uma piscina natural, um dos lugares mais fotografados da costa portuguesa — e continua até Cascais. Planeie terminar o seu dia em Sintra no Cabo da Roca ao fim da tarde, quando a luz fica cor de cobre e o vento abranda.

Quando Visitar Sintra e Como Chegar

Os melhores meses para visitar Sintra são Abril, Maio, Setembro e Outubro: as multidões são gerenciáveis, a Serra está verde e florida, e a luz atlântica está no seu melhor. Julho e Agosto são quentes e muito movimentados. De Novembro a Março é mais tranquilo e frequentemente dramático: a névoa da Serra pode reduzir a visibilidade a poucos metros, o que dá aos palácios uma atmosfera sobrenatural que os visitantes de Verão nunca vêem.

Sintra fica a 25 quilómetros de Lisboa. De comboio: a Estação do Rossio tem serviços directos de 30 em 30 minutos; a viagem demora 40 minutos e custa cerca de €4,40 em ida e volta. O primeiro serviço parte antes das 7h. De carro: a A37 é rápida e directa. Em passeio privado: a maioria dos visitantes que combina Sintra com Cascais, Cabo da Roca ou Colares acha um passeio privado a opção mais fácil.

Explore Sintra com um Guia Privado

Um guia privado faz uma diferença significativa em Sintra. Não porque os palácios precisem de explicação — não precisam — mas porque saber qual entrada no Pena evita a fila principal, qual caminho pelos túneis da Regaleira tomar primeiro, onde a luz cai melhor na fachada de Monserrate ao início da tarde: estas são coisas que levam anos a aprender e meio dia a apreciar.

Os nossos passeios privados por Sintra foram concebidos em torno da forma como acreditamos que um dia na Serra deve sentir: sem pressa, bem sequenciado e genuinamente informado pela história e carácter de cada lugar que visita. Tratamos dos bilhetes, do transporte e dos horários. Traga a curiosidade.

Contacte-nos para planear o seu passeio privado por Sintra, ou explore o nosso guia de destinos em Portugal para mais sobre o que a Serra tem para oferecer.